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Distância

Como o ingresso na universidade e a recepção dos novos

alunos foram alterados pela pandemia

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Entrada do Anfiteatro "Guilherme Rodrigues Ferraz", mais conhecido como "Guilhermão" (Foto: Vinicíos Rosa)

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"Bixo a Distância"
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   80.476 pessoas esperaram ansiosamente pelo dia 27 de maio de 2021. Nessa data, a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) divulgou a primeira chamada do vestibular 2021. A Unesp conta com câmpus em 24 cidades diferentes e soma 183 opções de cursos de graduação.

   Da imensidão dos números às individualidades encontradas neles, o sonho por uma das 7.360 vagas ofertadas no certame deste ano continuou ali, sobrevivendo em meio a uma pandemia. A preparação a distância, o vestibular respeitando as medidas sanitárias e as incertezas impostas desde março de 2020 foram algumas das características que tornaram único o ingresso desses calouros na universidade.

   Esta reportagem é um registro das experiências que talvez sejam vivenciadas por uma única geração. Aqui você encontra o antes, o agora e o futuro próximo desses calouros, com um relato particular, íntimo e positivo. 

Pronto para participar?

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Portaria 1 do Câmpus da Unesp em Bauru. (Foto: Vinicíos Rosa)

“Só um momento, você poderá participar em breve”

Vida de vestibulando 

   O ingresso na universidade pública é um momento emocionante, que para ser alcançado é necessária uma preparação intensa dos estudantes. Com o ensino à distância, não foi diferente, e agora, além das ansiedades e preocupações já comuns aos vestibulandos, eles também tiveram que enfrentar as incertezas que surgiram com a pandemia. 

   O sonho de entrar na faculdade logo após o ensino médio foi o que motivou Lívia Angélico, de 18 anos, a enfrentar os desafios desse período. A jovem, que sempre esteve muito segura em relação ao seu futuro, teve um baque ao se deparar com o ensino remoto no momento em que mais precisava de auxílio. “Foi uma coisa muito anormal. Por mais que meus professores do ensino médio tenham dado toda a assistência, você se sente meio sozinho, meio perdido nesse caminho”, afirma a estudante, que foi aprovada no início de 2021 para o curso de Ciências Biológicas no Câmpus de Bauru. 

    Os estudos para vestibular realizados a distância também foram desafiadores para Amanda Menezes, de 19 anos, que se adaptou buscando outras formas de aprendizado. A caloura de Relações Públicas já tinha feito um ano de cursinho presencialmente, mas com o início da pandemia, optou por estudar sozinha e focar em um curso de redação. Apesar de todo o preparo que tinha nos estudos, a jovem deparou-se com novos sentimentos. “Tinha uma visão estratégica bem ampla das provas. Foi muito legal [realizar o vestibular], mas aquela coisa de estudar online dá um nervoso. É bem difícil, dá uma crise de ansiedade, um medo de não conseguir [aprender].”, desabafa.

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

   

  Assim como Amanda, o medo de não conseguir absorver conhecimento assola os estudantes de todo o país. De acordo com a segunda edição da pesquisa “Juventudes e a Pandemia de CoronaVirus”, 43% dos estudantes brasileiros com idades entre 15 e 29 anos pensaram em desistir dos estudos. O número que na edição anterior era de 28%, teve seu aumento por conta de diversos fatores, entre eles, a dificuldade em aprender com o ensino remoto.

    Esses dados refletem diretamente no número de inscritos na vigésima primeira edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), divulgado no dia 19 de julho deste ano. A prova é uma das principais portas de entrada para o ensino superior brasileiro. Cerca de 4.004.764 milhões de pessoas se inscreveram no Enem deste ano, segundo informações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Esse é o menor número de participantes desde a reformulação do exame em 2009. Para fins comparativos, o mesmo instituto contabilizou 6,1 milhões de inscritos em 2020, durante o primeiro ano da pandemia. 

    Para os alunos, lutar contra as estatísticas e conseguir chegar ao ensino superior é uma grande vitória que, mesmo na situação atual, mereceu ser festejada. "Como a gente já estava há bastante tempo na quarentena, em isolamento e tal, foi do jeito que deu para ser, mas eu fiquei muito emocionada.", contou Lívia.

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CÂMPUS

MULTI

    Com o ensino remoto, a Unesp está presente numa imensidão de cidades. De suas casas, os "bixos" de 2021 estão vivenciando cada um a sua universidade. Convidamos Amanda, Beatriz, Livia e Julia para nos mostrar como a "sua Unesp", temporaria e em casa, é. 

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(Fotos: Arquivo Pessoal)

Fonte: INEP; Arte: Luiz Fernando

“A câmera está iniciando”

Recepção e integração a distância

     No curso de Relações Públicas, todos os calouros ganham um apelido e uma “família”, que será responsável por integrá-lo ao meio universitário. O processo de adoção e nomeação é uma tradição antiga da faculdade. O novo nome é revelado pelos veteranos durante o batismo, a tradicional cerimônia de integração entre calouros e veteranos. Logo em seguida, o “bixo” ganha um babador, onde é escrito o novo apelido, e tem o dever em usá-lo durante o primeiro ano na graduação. 

   Com a pandemia, todo esse processo foi virtual. Para Amanda, apelidada de “PIX”, a comissão de recepção formada pelos alunos fez um trabalho memorável. “Eles foram muito incríveis, muito acolhedores. Fizeram uma pesquisa muito profunda em nós para nos dar os ‘pais’ da Unesp certos e os apelidos certos. Eu já me olho no espelho e imagino que sou a PIX, vejo o símbolo do PIX na minha cara, às vezes nem sei mais quem é Amanda”, relata.

 

    Julia Teixeira, ou “Cookie”, demonstrou a mesma animação da sua parceira de turma ao ser apelidada: “A única coisa que eu queria era um apelido. Depois que eu entrei, os veteranos comentaram que o apelido nem é obrigatório em todos os cursos da Unesp. No caso de Relações Públicas o apelido é uma coisa forte, aí eu fiquei superfeliz”.

    As duas futuras relações públicas anseiam ganhar seu babador físico quando as aulas presenciais retornarem, já que neste ano o acessório foi inserido digitalmente, durante o batismo, nas fotos dos calouros. 

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Amanda (PIX) e Julia (Cookie) com o babador virtual criado pela Comissão de Relações Públicas. (Foto: Arquivo Pessoal)

    “Eles tiveram um cuidado e um capricho, por mais que a gente não tivesse o nosso babador pra pegar nele a gente conseguiu se visualizar como seria se o tivesse”, pontua Julia, que nesta altura já se reconhece como Cookie.

“Convite para a turma”

Relação com os docentes

  As adaptações impostas pela pandemia foram sentidas pelos ingressantes, alunos veteranos e também pelo corpo docente da universidade. As salas de aula tornaram-se virtuais e o contato, que gera uma valiosa troca, passou a ser mediado por uma plataforma de comunicação por vídeo à distância. Juntos, alunos e professores tiveram que descobrir como os encontros remotos funcionam.

    Para Julia, as interações propostas pelos professores e a participação dos alunos durante as aulas têm aproximado-os. O medo e as inseguranças dos alunos também são comuns aos docentes que têm receios de não conseguirem uma boa troca pela nova dinâmica virtual. Mas basta um levantar de mãos para garantir a noite de ambos os lados. “É uma troca muito gostosa, ver seu professor feliz porque a gente tá participando. E dá mais vontade de participar”, compartilha. 

    Amanda destaca a maneira como o corpo docente está lidando com obstáculos inerentes ao ensino remoto. “Eles são muito compreensivos, tem gente que a internet cai toda hora e os professores sugerem uma atividade pra contar presença daquela aula que a internet não colaborou”, afirma. 

 

   O desafio de conexão entre veteranos e calouros também foi enfrentado durante as semanas de recepção na Universidade.

   Presidente da Comissão de Recepção de Ingressantes do curso de jornalismo da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (FAAC), a aluna Laís David de Souza conta que foram pensadas diversas atividades de interação e entretenimento para a edição remota de integração.

    “Nós utilizamos um modelo multiplataforma, onde a gente fez estratégias diferentes pro Facebook, Twitter, WhatsApp e Instagram. Na semana de recepção, a gente fez um formulário para que os alunos escolhessem o jogo que a gente ia jogar, então tudo foi com a participação deles”, informa.

    Outro recurso tecnológico utilizado para promover a aproximação de calouros com a vida universitária foi o filtro de realidade virtual para fotos no Instagram. Laís afirma que, usando as dinâmicas em diversos momentos, a Comissão foi capaz de receber cerca de 90% dos ingressantes em ambiente virtual. “A maioria das pessoas que não participou foi porque estava trabalhando”, relembra.

"Você por aqui de novo?”

Alunos de segunda viagem

     Julia Teixeira e Beatriz Toledo estão passando pela vida de “bixete” pela segunda vez.

 

    Comparando com sua primeira formação, em Medicina Veterinária, Julia revela estar mais animada com o curso: “Eu fiz por causa dos meus pais. Eu me formei tendo notas medianas e estudando o básico que eu precisava estudar. Agora na Unesp, eu entrei com outra cabeça. Eu quero muito usar tudo que a faculdade pode me dar, é a minha segunda graduação, tenho outra maturidade”.

   Para a paulistana, além das diferenças entre um curso de biológicas e humanas, a estrutura oferecida por uma universidade pública, principalmente aquela ligada à extensão universitária, também faz com que os alunos se envolvam mais na formação. 

    Beatriz Toledo estava dando entrada ao terceiro ano de Jornalismo na Unesp de Bauru quando decidiu migrar para Psicologia. A santa-barbarense de 22 anos começou a estudar para os vestibulares por meio do cursinho popular e gratuito da Unesp. Lá, teve apenas quatro semanas de aula presenciais antes da pandemia chegar ao Brasil. E como esperado, o cursinho também adaptou o modo de ensino ao estilo remoto. 

    Apesar da dificuldade em manter uma rotina de estudos online em meio a pandemia, Beatriz conseguiu ser aprovada em Psicologia na Unesp de Assis e afirma que se surpreendeu com a recepção à distância da nova graduação.

   “Eu não esperava, porque a referência que eu tinha de recepção era isso: eu chegar na cidade e ter as pessoas ali já me recebendo na casa delas, eu indo para a faculdade com elas, eu aprendendo como é que funcionava o esquema de ônibus, o mercado, festas, diversas coisas do dia a dia junto com aquelas pessoas. Em Assis, quando saiu o resultado, já tinha os grupos de Facebook com os veteranos e eles entraram em contato”, relembra.

 A estudante de Psicologia afirma que os veteranos e o corpo docente da faculdade elaboraram diversas dinâmicas entre os novos alunos para integrá-los ao contexto universitário, como jogos, vídeo chamadas para assistir filmes juntos e apresentações da instituição.

    “Os veteranos mostraram fotos e vídeos de arquivo pessoal do campus para a gente. Além disso, teve uma apresentação oficial. Tivemos a semana da ingressada dos calouros e em um dos dias rolou a apresentação do campus por conta da coordenação. Um dos professores colocou algumas fotos e mostrou a biblioteca, o restaurante universitário e outros lugares e foi explicando como funcionam os espaços”, diz Toledo, que deixa claro estar confortável com a recepção que recebe da universidade. 

“Você saiu da reunião”

Expectativas para um retorno presencial

   2022. Para todas as entrevistadas, a expectativa e ansiedade para um retorno presencial se mostra muito parecida com aquela sentida quando ainda se está vestibulando. Ao serem questionadas sobre o câmpus e a vida que esperam ter na graduação nos próximos semestres, elas acreditam que o retorno às aulas presenciais será celebrado por toda a comunidade acadêmica.

 

   

 

 

 

 

 

 

 

    Para Amanda, Bauru será o lugar onde ela e seus colegas de turma viverão um sonho. “Eu tenho um grupo de amigos, que a gente fica sonhando em morar juntos, uma casa com cinco pessoas, vai dar super certo. A gente fica sonhando. A gente fica pesquisando apartamento de cinco quartos em Bauru, pesquisando casa, a gente fez de tudo. Sonhamos muito com isso e com certeza será uma fase divertida, ainda mais depois de tanto tempo sem rolê, sem estar junto com as pessoas, com certeza vamos aproveitar cada segundo, ficar sem dormir o primeiro mês, sem tempo pra dormir, tirar os roles do atraso. Muita expectativa”.

    Julia acredita que o câmpus de Bauru é “um lugar grande com bastante árvore e bastante verde, os prédios um do outro”. Ela, assim como grande parte dos calouros, ainda não conhece o local, mas tem planos de visitá-lo em breve. “Quero comer bauru em Bauru, mesmo todo mundo falando que não tem a menor graça. Quero visitar algumas repúblicas e alguns apartamentos porque eu preciso morar em algum lugar. Tenho esses planos assim que eu terminar meu protocolo de vacinação”. 

    Apesar de já conhecer o espaço e vida acadêmica, Beatriz Toledo está ansiosa para o dia em que colocará os pés em Assis. A estudante conta que espera recomeçar uma nova fase de vida na cidade. Ao lado de amigos que fez ao longo das dinâmicas online, Toledo já pensa em alugar apartamento e construir um lar próximo do novo campus, que apelida de “chuchuzinho”, por ser pequeno e acolhedor. 

   “O plano principal é conhecer as pessoas. É engraçado porque eu já conheci muitas pessoas, mas todas online. Eu fico ansiosa para ver a pessoa pessoalmente, mas o maior de tudo, como vai ser ver todo mundo junto pela primeira vez. Acho que essa é a expectativa para quando as coisas retornarem”, finaliza Beatriz. 

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UNESP

IANDO

    Perguntamos para Amanda, Beatriz, Livia e Julia, que nunca estiveram na Unesp onde irão estudar, como elas descreveriam lugares específicos do câmpus. A seguir, daremos a essas "bixetes" uma espiadinha sobre como o lugares que elas descreveram estão hoje. 

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O Campus da Unesp em Bauru é lar de vários animais, cuidados pelos funcionários da instituição. (Foto: Vinicíos Rosa)

Sobre nós

    "Bixo a Distância" é uma reportagem audiovisual desenvolvida por jornalistas em formação como requisito da disciplina Jornalismo Digital II, ministrada pelo Professor Associado Juliano Maurício de Carvalho, do Curso de Jornalismo da Unesp de Bauru. 

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Giovanne Ramos

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Luiz Fernando

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Juliana de Almeida

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Vinicíos Rosa

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Luiz Guilherme Machado

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Yasmin Moscoski

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Agradecimentos

Entrevistadas          Orientação

Amanda Menezes

Beatriz Toledo

Julia Teixeira

Laís David de Souza

Lívia Angélico

Profº Associado Juliano Mauricio de Carvalho

Estágiario Docente Victor Simões Zamberlan

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